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O amor que “dá certo” é o que acaba em casamento ­e dura para sempre. O período em que permanecemos com alguém e curtimos a convivência, não importa qual tenha sido sua duração, já significa que deu certo. Devemos encarar esse encontro como um momento rico em nossa trajetória, que nos ensinou coisas, nos fez crescer e, por isso mesmo, nos tornou pessoas melhores para viver novos relacionamentos. E não é só. “Uma mulher com experiências gratificantes no amor pode não se dar conta de que recebeu muitos presentes da vida apenas pelo fato de não ter chegado ao altar”, lembra a psicóloga Noely Moraes.

A gente não escolhe quem vai amar, pois nos assuntos de amor o coração é quem manda. Diferentemente do que em geral se acredita, a escolha amorosa ­ o relacionamento e o parceiro que se quer ­ é tanto racional quanto emocional. Essa crença, aliás, também costuma ser usada como uma justificativa para atitudes como: “Agi desse jeito porque não tive controle sobre meu arrebatamento”. Razão e emoção são na verdade aliados e se complementam até nesses momentos. A gente também escolhe ser ou não arrebatada.

Existe para todo mundo a pessoa certa, a metade da laranja, a alma gêmea. Segundo o mito descrito por Platão em O Banquete, houve um tempo em que os seres humanos eram de três gêneros: feminino, masculino e andrógino. Os andróginos tinham forma circular, quatro braços e quatro pernas, uma cabeça e dois rostos opostos. Fortes e arrogantes, eles resolveram investir contra os deuses, que, por vingança, os cortaram ao meio. A partir de então, cada parte, sentindo-se incompleta, passou a procurar por sua respectiva metade. “Vem desse mito a noção de que só seremos felizes quando encontrarmos a nossa metade, ou a alma gêmea. Assim, nos tornamos reféns de alguém que, acreditamos, vai nos completar, esquecendo que, na verdade, já somos pessoas inteiras”, explica Lúcia Rosenberg.

A relação amorosa só deve trazer alegria e prazer e nunca situações desagradáveis, que fazem sofrer. Viver o amor é bom desde que o vínculo seja saudável, isto é, que um parceiro não esteja na relação por carência ou porque se sente incapaz de buscar a realização pessoal por si mesmo ou por precisar da proteção do outro. Mas o fato de o amor ser bom não quer dizer que não seja difícil ou que não dê trabalho. “As dificuldades, aliás, nos servem de referência: só sabemos que ele é bom porque experimentamos o lado ruim”, diz Lúcia. E Noely completa: “Claro que o sofrimento por amor não é uma experiência agradável, mas também não precisa ser fatal. Como qualquer outro sofrimento, ele desperta em nós recursos psíquicos, amplia nossa consciência e propicia sabedoria. Então, por que temê-lo?”

Os amores mais intensos são os que surgem à primeira vista. Muitas mulheres supervalorizam o clima de paixão provocado por um sedutor que elas nunca viram antes e nem querem ouvir falar da possibilidade de viver um amor mais calmo, como o que nasce entre duas pessoas que já se conhecem, acreditando que esse tipo de relação não tem suficiente glamour. Só que, de tão preocupadas em encontrar o “príncipe”, acabam não percebendo quantos “sapos” interessantes existem a sua volta.

O amor pode tudo. Esse lema provoca em algumas mulheres um sentimento de onipotência que as faz acreditar que conseguirão regenerar o homem amado de algum comportamento destrutivo ou de uma falha de caráter. Por conta disso, toleram desrespeito, egoísmo exacerbado, falta de objetivos e interesses em comum e diferenças de valores éticos, na ilusão de que um dia as coisas se ajeitem e o casal encontre, enfim, a felicidade.

O amor traz segurança. Ledo engano. Segundo Noely Moraes, o amor é o mais inseguro dos estados existenciais e quem aceita essa característica pode viver relações criativas, especiais, únicas. “Como um deus, ele tem seus caprichos e só se revela a quem se submete sem garantias e condições. Já quem trapaceia e tenta aprisionar o amor desenvolve rituais e jogos de sedução repetitivos, que levam a relações insatisfatórias.”

É verdade, o amor é brega
Escovando os dentes de manhã
Na janela
(…)
O amor é brega
Eu quero um

O Amor É Brega, Cazuza

Fonte Revista Bons Fluidos

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